sexta-feira, 4 de novembro de 2011



Não gosto de ter a expectativa como companhia. 
Ela é muito tagarela e deixa meu coração agitado. 
Gosto mesmo é quando o inesperado se aproxima de mansinho, sossegado feito vento acariciando meus cabelos me presenteando com sentimentos poetizados, enfeitando meus pés com flores, fazendo a lua brincar no meu telhado.


*
Desejo que não tenha tanta pressa que esqueça de colher estrelas com os olhos, nas noites em que o céu vira jardim, e levar para plantar no seu coração as mudas daquelas mais luzentes. Que tenha sabedoria para encontrar descanso e alimento nas coisas mais simples da vida. Que a cada manhã a sua coragem acorde bem juntinho de você, sorria pra você, e o convide para viverem uma história toda nova, apesar do cenário aparentemente costumeiro. Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça.


*
Deveria chamar-te claridade pelo modo espontâneo,
franco e aberto, com que encheste de cor meu mundo escuro.
Cuidado com quem você deixa entrar na sua bagunça. 
Algumas pessoas arrumam, outras bagunçam ainda mais,e tem outras…
Ah! As outras vivem na bagunça com você e nem ligam, se tá arrumado, se não tá. Elas só querem estar ali. Com você.


*
Um baú de esperanças novinhas em folha pra você.
Uma caixinha especial repleta de verbos: começar, renovar, re-criar,
embrulhados em fita de cetim cor do céu.


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Que os sensíveis sejam também protegidos.
Que sejam protegidos todos os que veem muito além das aparências.
Todos os que ouvem bem pra lá de qualquer palavra.
Todos os que bordam maciez no tecido áspero do cotidiano.


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Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho.
As belezas que se mostram sem fazer suspense.
As afeições compartilhadas sem esforço.
As vezes em que a vida nos tira pra dançar.
As maravilhas todas da natureza.
A compreensão que floresce, clara e mansa, quando os olhos que veem são da bondade.
Abençoados sejam os presentes fáceis de serem abertos.
Os encantos que desnudam a alma.
Os improvisos bons que desmancham o penteado arrumadinho dos roteiros da gente.
Os diálogos que acontecem no idioma pátrio do coração.
Abençoada seja a leveza, meu Deus.


*
Desejo que a gente espalhe luz pelos caminhos que decidir trilhar,
que a gente seja colo que aconchega, brisa que refresca,
palavra que acalenta, carícia suave que adocica os dias difíceis,
que a gente faça o bem, queira o bem, e receba o bem também…


*
A gente espera um grande amor, uma grande sorte, uma grande beleza,
uma grande fortuna e esquece de olhar pras miudezas.
Esquece que grandioso, é o pequeno, o singelo, essas coisinhas que vão passando despercebidas. Esquece que a felicidade não está apenas no presente,
mas também nos laços e papéis coloridos que o embrulham. 
A gente espera grandes eventos e esquece que a felicidade chega sem avisar.
Espera uma sinfonia cheia de acordes e sons, e esquece que a felicidade
não é esse grito.
São sussurros, que só escutam aqueles que sabem ouvir o canto da simplicidade.


domingo, 23 de outubro de 2011

Meu coração é muito João Bobo.
A pessoa chuta e ele fica de pé rapidinho pra apanhar mais.


*


Eu sou assim, eu vou sumir quando você menos esperar, eu vou surtar com você,
vou querer que você sinta medo, orgulho, paixão, tesão, fome de mim.
Eu vou ter as vontades mais loucas, eu vou sentir inveja até da sua sombra por estar perto de você de dia, e do seu travesseiro por estar com você a noite.
Eu vou aparecer só pra você me perceber, eu vou sumir e aparecer milhões de vezes pra você me notar. Eu vou ter sede da sua atenção, eu vou querer o seu “mas eu te amo” quando eu disser “eu te odeio, e não quero mais te ver por aqui”, eu vou querer um beijo roubado no meio daquela briga, eu vou querer seus elogios quando o espelho estiver de mal comigo, eu vou querer sua sinceridade quando for necessário, e a sua doce mentira quando minha vaidade precisar, eu vou querer surpresas no meio do dia, ligações inesperadas, eu vou respirar você, eu vou amar você.
Me disse boa noite, quis responder: “Fique e faça ela ser”.


*


  • - Antes doia.
  • - Agora não dói mais?
  • - Dói, ainda dói.
  • - Então deve ter é diminuído a intensidade, né? A dor mudou.
  • - Não, a dor continua a mesma. Eu que mudei. Eu me tornei mais forte. Eu aprendi a lidar com a ela.

sábado, 22 de outubro de 2011

Sou tão certa como dois e dois são cinco.
Biruta, desvairada, desequilibrada, louca, insana, alienada, várias palavras com somente um significado: completamente maluca.
E sem me esquecer de mencionar sobre o meu descontrole também, sou uma descontrolada nata. Não só maluca e descontrolada como gulosa e gananciosa. Tenho uma gula por pessoas sabe? Uma vontade de ter todas elas nos meus braços ao mesmo tempo. E cada vez mais, e mais. Vontade de colocar todo mundo embaixo do braço e sair carregando por aí, como se estivessem sobre minha posse.
Também tenho aquela coisa de ciúme possessivo, que coisa mais… Abusiva, não?
Querendo sempre que tudo seja meu, o que tudo seja pra mim, coisa feia.
É, mas sou assim mesmo, abusiva. Outra coisa também, sou sem limites.
Digo limites relacionados a coisas boas, sei muito bem parar quando estou fazendo algo torto.
Sem limites para ser feliz, sem limites para sair por aí a procura da felicidade, sem limites para ajudar quem me precisa, sem limites para me doar para as pessoas…
Está aí um dos meus milhares de problemas, me doar demais.
Doei-me tanto que acabei ficando sem.
Vou me doando, me doendo, me faltando, assim, sempre.
Mas vou fazer o que né? Sou feliz exatamente assim.
Com todas as minhas incertezas, dores, amores e desamores,
com essa caixinha de problemas que é a minha vida.
Uma dica útil meu bem, não tente me entender, nem eu mesma faria esta tamanha loucura.